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Os ossos das crianças

Conheça os principais problemas ortopédicos que atingem as crianças e as melhores formas de tratá-los

Crianças não são adultos em miniatura. Com essa frase, a Dra. Pola Aline Franzolin, ortopedista pedriatra do HOME, caractariza o trabalho. Os ossos das crianças ainda estão em formação e parte do esqueleto ainda é constituído por cartilagem. São maleáveis e têm grande capacidade de remodelação. As cirurgias devem ser realizadas apenas para os casos extremos, sempre que possível, a correção fica por conta do próprio corpo. Algumas deformidades são comuns às crianças e não passam de uma adaptação natural que se corrige com a idade. A Dra. Pola Aline explica as lesões e deformidades mais comuns e fala sobre os tratamentos.

 

Fraturas   


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Correr, brincar, cair. Movimentar sem medo tem os seus riscos. Os machucados com frequência cobrem os joelhos e cotovelos daqueles que estão em fase de crescimento. As fraturas correspondem a 15% de todas as lesões sofridas pelas crianças. Delas, 37% acontecem em casa e 20% em quedas na escola. Mas não são motivo para muita preocupação, o osso da criança é mais plástico, possui mais colágeno que o do adulto. Isso significa que o potencial de remodelação é muito grande.

 

No tratamento, “Algumas vezes se pode manter certo grau de desvio, que pode assustar os pais, que acham que o osso tem que ficar retinho. Não é assim, muitas vezes ele vai remodelar e vai ficar normal”, diz a Dra. Pola. No entanto, ela alerta que não pode haver abuso por parte do médico, em achar que tudo pode ser remodelado. Alguns casos extremos precisam de cirurgia, para que futuramente os movimentos não fiquem prejudicados. Para tanto, deve-se ter “bom senso e conhecimento do metabolismo ósseo infantil”, afirma.

 

Pé plano

 

Cerca de 80% das deformidades ortopédicas são nos pés e a maioria é genética. Se a mãe ou pai tem determinada característica ortopédica, o filho tem de 60 a 70% de chance de apresentá-la também. No caso do pé plano, 100% das crianças até os dois anos de idade não tem formado o arco plantar medial, o arquinho na sola do pé. Isso porque os ligamentos são flexíveis e quando em contato com o chão “desabam”. Além disso, as crianças tem uma espécie de bolsa de gordura que o ocupa o espaço do vão. A frouxidão ligamentar pode se extender até os 4 ou 5 anos e aos 6, 7 anos, a planta do pé está completamente definida.


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Se o arco não se forma, é uma característica genética que não apresenta maiores complicações. No entanto, pode ser que quando entre na adolescência e ganhe massa muscular, o peso aumente e o pé plano incomode, causando dores. Nesse caso, é indicada palmilha e fisioterapia. Não é comprovado que o uso da palmilha forme o arco, mas alivia as dores. Nos casos mais graves, em que o pé plano leva a uma pisada em que o peso é distribuído de forma desequilibrada, em que apenas uma borda do pé encosta no chão, nesses casos, é recomendada a cirurgia.

 

É preciso estar atento para falsos alardes. O teste da pisada, por exemplo, em que por meio de “carimbo” feito com pé identifica-se onde está o maior peso, pela intensidade da tinta, não indica necessariamente um caso grave. As mulheres, que tem uma tendência a um afastamento dos joelhos, pisam com o peso um pouco mais sobre a borda externa do pé. Além disso, nem sempre as duas pernas possuem o mesmo comprimento. Esses fatores podem alterar os resultados do teste da pisada.

 

Pé torto congênito           

 

Quando a torção do pé vai além do que é necessário para andar ou realizar qualquer outra atividade, é preciso fazer um tratamento para reverter o quadro. A identificação é simples e se nota desde os primeiros dias de vida. É nessa época que começa o tratamento, que consiste em engessar as duas pernas semanalmente. É o chamado método de Ponseti, em homenagem ao médico que o desenvolveu. Com ele, consegue-se a correção do pezinho por volta do sétimo ou oitavo gesso.


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O pé torto congênito, como a maioria das formações ósseas, é genético. O gene fica ativo por volta da vigésima semana de gravidez até os 4 anos de idade. Então, mesmo que se corrija no início da vida, ainda há o risco, até os 4 anos, de o pé voltar a posição anterior. Para que isso não aconteça, realiza-se a chamada tenotomia do tendão de aquiles.  É um procedimento simples, em que se realiza um pequeno corte um pouco acima do tornozelo, com isso corrige-se a deformidade.

 

Desvios dos membros inferiores

 

Joelhos juntos, pés rotacionados para fora ou para dentro. É a adaptação do corpo a um sistema neurológico ainda em formação. Quando começa a andar, por volta de um ano de idade, a criança ainda não tem “maturidade” suficiente para se sustentar ereta. O corpo cria mecanismos para facilitar a locomoção. Os joelhos juntos e os pés separados criam uma base de apoio maior. Os pés virados para dentro facilitam na hora de parar.

 

Até os cinco anos essas “deformidades” são comuns. Aos sete, o próprio corpo tende a se corrigir. Permanecem as características genéticas, como uma discreta abertura dos joelhos ou junção deles. Se, no entanto, a formação for mais acentuada e prejudicar na prática de esportes ou outras atividades, parte-se para o procedimento cirúrgico na idade apropriada, que seria após a formação completa dos membros inferiores, por volta dos sete anos.

 

O procedimento indicado é uma cirurgia minimamente invasiva, chamada epifisiodese temporária da placa de crescimento do joelho, que consiste  no bloqueio dessa placa de crescimento. O desenvolvimento não é prejudicado, é apenas direcionado e, com isso, há a correção do membro e a placa é, então, retirada.

 

Quando os pequenos querem subir no salto


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Um grande inimigo da idade é o salto alto. Influenciadas pela TV e espelhando-se nas mais velhas, as meninas tendem a, cada vez mais cedo, pedirem um sapato ou uma sadália com salto para os pais. Acompanhando o desejo, a indústria de calçados lança a cada coleção, saltinhos rosas vestidos de princesas e outros personagens voltados para o público infantil. Segundo a Dra. Pola, até o menor dos saltos pode prejudicar a formação e causar deformidades desnecessárias às crianças.

 

O pé é formado por três pontos de apoio. Popularmente, o calcanhar, o dedão e o dedinho. Com o salto, altera-se esse equilíbrio. A parte posterior do pé é sobrecarregada. Dedos que não tocavam o chão, passar a tocar. Surgem calos e com eles, a dor.  “Criança corre, nao tem nem maturidade neurologica para andar direito, como vai andar de salto?”, diz a ortopedista. A formação completa do pé se dá por volta dos 14 anos. “O salto não é recomendado para nenhuma idade, mas é um costume difícil de ser mudado. Deve-se esperar pelo menos até a formação completa dos ossos”, afirma.

 

Agressões: é preciso estar atento

 

As crianças são facilmente intimidadas. Elas têm medo dos adultos e tendem a não contar acontecimentos graves, principalmente se eles, de alguma forma, as ferem. O medo faz com que escondam vários tipos de agressão do conhecimento da família, dos amigos, do médico. É preciso, portanto, estar atento aos penquenos sinais. A fratura é um deles. Principalmente nos membros, cerca de 36% dos abusos deixa alguma fratura, que nem sempre é notada, por se tratar apenas de uma rachadura.

 

Dra. Pola explica que as fraturas por agressão deixam traços típicos. Enquanto aquelas sofridas com quedas deixam riscos oblíquos ou espirais, as causadas por espancamento tem riscos transversos. O indicado é procurar outras marcas, radiografar os outros membros e, em caso de suspeita, contactar as autoridades.


Postado por Mariana Tokarnia - Assessora de Imprensa 





 
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